Segregação socioespacial nas metrópoles brasileiras: um reflexo do patrimonialismo como traço, não ultrapassado, da cultura nacional

  • Fernando Pontual de Souza Leão Júnior
  • Cristóvão de Souza Brito
  • Suzana Ferreira Paulino

Resumo

O objetivo do presente trabalho é analisar, a partir de uma revisão teórico-conceitual, de que forma o processo de ocupação do território das metrópoles brasileiras realizada a partir de uma perspectiva patrimonialista de sociedade, ensejou uma ocupação desigual, segmentada e se refletiu e no processo de segregação socioespacial observado nessas cidades. O artigo é um ensaio teórico que se fundamentou em teorias vigentes sobre a formação urbana das metrópoles brasileiras e buscou inserir a influência da institucionalização dos valores patrimonialistas em todas as instâncias sociais como um elemento fundamental na compreensão da ocupação dos espaços metropolitanos. Desconstrói a ideia de que o patrimonialismo está apenas na relação dos agentes públicos com a coisa pública, mas sobretudo na formação da própria cultura nacional, refletindo também no desenvolvimento das metrópoles brasileiras.

Biografia do Autor

Fernando Pontual de Souza Leão Júnior

Professor da NUFA/FACIPE/Grupo Tiradentes e UPE. Doutor em Desenvolvimento Urbano.

Cristóvão de Souza Brito

Professor do CEURB/FACIPE/Grupo Tiradentes e UPE. Doutor em Desenvolvimento Urbano.

Suzana Ferreira Paulino

Professora NUFA/FACIPE/Faculdade SENAC PE. Doutora em Letras.

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Publicado
2017-04-18
Como Citar
LEÃO JÚNIOR, Fernando Pontual de Souza; BRITO, Cristóvão de Souza; PAULINO, Suzana Ferreira. Segregação socioespacial nas metrópoles brasileiras: um reflexo do patrimonialismo como traço, não ultrapassado, da cultura nacional. Anais da Conferência Brasileira de Folkcomunicação - Folkcom, [S.l.], n. XVIII, abr. 2017. ISSN 2236-2924. Disponível em: <http://anaisfolkcom.redefolkcom.org/index.php/folkcom/article/view/67>. Acesso em: 23 nov. 2017.
Seção
GT 5 - Cidadania e sustentabilidade ambiental, social e cultural